quinta-feira, 5 de maio de 2011

Você já viu a Gabí Poraí????

A maior revelação da música em muitos anos ainda não tem Cd ou Dvd, não pula no palco nem flutua (embora sua voz nos dê essa sensação), não faz parte de um grupo ou dupla e sequer foi apadrinhada por algum “ícone” da nossa ainda tão rotulada MPB.
Na verdade, Gabriela Barreto e seu projeto (em parceria com Rodrigo Maia) Gabí Poraí é fruto de uma independência há muito almejada: A do músico que quer tocar e divulgar seu trabalho sem depender de gravadoras, empresários e mesmo de lojas especializadas. É muito bom ter um disco, um registro da sua obra, mas hoje a Internet nos dá a possibilidade de ir além, de alcançar um público sempre sedento por novidades e de até se aproximar deste público. E isso a Gabi tem feito com maestria, simplicidade e muito carisma.
Esse carisma é natural.Quem assiste seus vídeos em seu site Gabí Poraí percebe uma descontração e bom humor há muito perdido na nossa música. Tom Zé estava com a razão quando escreveu “Complexo de Épico” (e quem não conhece, por favor, procure e ESTUDE essa música). 
Para nossa sorte ela trocou o piano, sua primeira opção de instrumento, pelo Violão, seu fiel companheiro nas suas andanças pelos lugares mais inusitados e bonitos escolhidos pra gravar seus vídeos, que ela posta religiosamente toda semana. E ainda oferece um Pocket show quase todo Domingo para os seguidores do seu Twitter.
A naturalidade com que canta e toca as músicas, que vão da conhecidíssima  “As Rosas não falam” a (ainda) desconhecida “Na dança”, uma excelente composição de Gleisson Jones e Juliano Ribeiro, faz parecer que a Gabí nasceu cantando, e que suas primeiras palavras foram melodias ao invés das tradicionais primeiras palavras.
Ao contrário dos fenômenos relâmpagos que aparecem a cada dia, a Gabi definitivamente veio pra ficar. Por aqui ou Poraí, ou a qualquer momento em algum canto da sua cidade

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sutileza e simplicidade

Tinha tudo pra ser mais um dia comum, com a rotina matinal de levar meu filho pra escola, depois ir pro trabalho e assim ver passar mais um dia. Acordei com uma certa melancolia, apatia, enfim, acordei chato, ranzinza como há tempos não acontecia.
Na escola, uma das Coordenadoras tenta organizar a fila e avisa que irão cantar o Hino Nacional. Eu, nem Ufanista e tampouco Patriota, torci o nariz silenciosamente, olhando meu filho junto com os amigos e lembrando da minha infância onde na hora do Hino eu sempre cantarolava algo dos Beatles ou qualquer outra música que me levasse pra longe dali. Em seguida é anunciado que um dos professores havia preparado algo especial e ia cantar e tocar para os alunos e pais presentes. Na hora já pensei em algum Sertanejo, mas engoli a seco minha ranzinice quando ele começou a dedilhar “Não chores mais” do Gil / Marley. Mal começou a cantar e eis que surge um aluno do nada e, na frente de todos, roubando a cena, começa a agitar a turma, a dançar, no melhor estilo Bez do Happy Mondays. As crianças riem e começam também a dançar e agora parecem unidas côo num êxtase coletivo. O que era pra ser uma apresentação fria se transforma numa catarse com o professor e alunos mais entusiasmados, sorrindo e cantando e eu espantando meu mau humor mais uma vez com Gil, em uma das apresentações mais divertidas e espontâneas que vi em muito tempo.Deve ter sido algo como 5,6 minutos no máximo, mas salvou minha manhã e valeu pelo dia inteiro me deixando a certeza de que cada segundo deve ser vivido, e que às vezes por não prestarmos atenção nas coisas simples, a vida se torna enfadonha, monótona, sem ritmo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Calvin, Haroldo e Eu

Não me lembro se foi em 1985 ou 86, mas nessa época, com cerca de 9 anos, eu já era apaixonado por quadrinhos, graças ao fato do meu pai ser jornaleiro e eu poder ler tudo o que eu queria, fosse em gibis ou em jornais. Era uma época que a Editora Abril e a RGE (futura Editora Globo - não confundir com a de Porto Alegre) investiam pesado nesse segmento e publicavam títulos como Pato Donald, Recruta Zero, Kripta, Luluzinha, sem contar com os títulos da Marvel e DC.
Todo dia eu tinha o hábito de abrir o jornal O Globo e ler as tirinhas que eram publicadas. Mas um dia, um anúncio me chamou atenção e até hoje não sei explicar o que senti. Era algo como, "A partir de amanhã publicaremos Calvin e Haroldo no lugar de (não lembro qual Tirinha deixou de ser publicada) ...". E assim começou uma verdadeira revolução na minha cabeça.
Calvin, 6 anos e seu tigre de pelúcia - ou não - Haroldo (Hobbes no original) eram os personagens que faltavam à minha vida, literalmente modificando minhas idéias, frases cotidianas, meu comportamento e minha imaginação já fértil. Fiquei tão viciado no personagem que era a única tira do jornal que eu cortava, guardava e relia sempre que podia. Assim como também fazia questão de mostrar para meus amigos, que na época mais torciam o nariz do que gostavam, já que o mundo deles girava mais em torno dos gibis de heróis e dos seriados como Ultraman e Spectremen..

Uma das minhas maiores alegrias, já com uns 13, 14 anos, foi quando numa banca de usados em Madureira, eu encontrei o álbum que a Cedibra lançou com as primeiras histórias do Calvin. Ver tudo reunido em um só volume foi ter um sonho realizado, numa época que sequer se imaginava que um dia teríamos tudo com facilidade na Internet. Lembro até hoje que eu não tinha todo o dinheiro, mas que o dono da banca, talvez vendo minha alegria e, ao mesmo tempo temor em perder o álbum, fez um desconto e me deixou levar.

Lamentei muito quando Bill Watterson, criador dos personagens, resolveu encerrar a publicação das histórias em 1995, mas ao mesmo tempo compreendi que era uma forma de não banalizar o Calvin, como aconteceu com inúmeros personagens que com o tempo fugiram de seu contexto e se tornaram máquinas de lucro ao invés de material de diversão.

Em 2004, já adulto e casado, meu filho nasceu. O primeiro nome que me veio à cabeça foi Calvin, mas a esposa e a família em geral não gostaram da sugestão e ele acabou se chamando, assim como eu, Pietro. Mas logo fui percebendo, pelo seu comportamento (e, hoje já com 7 anos sua imaginação infinita comprova isso) que não teria sido uma escolha melhor: ele é o próprio Calvin!!!

E dê um passo à frente a criança de 6 anos que não tem um lado meio Calvin.

A Internet, com suas infinitas informações, tem muita coisa sobre o Calvin, mas eu recomendo dois dos melhores que já vi pra quem quer conhecer ou pra quem já é fã:

http://depositodocalvin.blogspot.com/

e

http://frasesdocalvin.blogspot.com/

(criado por um dos meus melhores amigos e Calvin maníaco como eu, Vagner ou vgdesouza como ele assina)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Autoramas "14 Laps"

Segue a resenha do disco "14 Laps" do Autoramas que fiz para o site do Clube do Vinil:

Resenha: “14 Laps”, do Autoramas (por Pietro Luigi)

Quando a largada foi dada em 1997, o cenário do Rock Brasileiro já não contava com Chico Science, Second Come, Low dream, Killing Chainsaw e mesmo o Pin Ups, uma das bandas mais importantes do cenário, perdera há pouco o baixista e vocalista Luis Gustavo, agora mais dedicado às suas Hqs. Era um momento histórico, pelo número de bandas independentes que surgiam e ao mesmo tempo preocupante pois nada indicava que estas sobreviveriam muito tempo nesta obscura carreira “alternativa” (rótulo que já os atirava ao escanteio). Ultrapassando todos sem precisar correr na contramão, surgiu o Autoramas, um mega trio que contava na sua formação inicial com Gabriel Thomas (Guitarra e Vocais, ex-Little Quail And The Mad Birds), Nervoso (Bateria, ex-inúmeras bandas, entre elas Beach Lizzards e Acabou La Tequila) e Simone do Vale (Baixista e Vocalista, ex-Dash, entre outras).

O grupo surgiu tão maduro, tão afiado, que em pouco tempo já conquistava um público fiel e sedento por shows, que se tornavam cada vez mais constantes e mais profissionais. Em 1998, sai Nervoso, entra Bacalhau (baterista, ex- Acabou La Tequila e ex-Planet Hemp), as turbinas esquentam ainda mais e agora ninguém os alcança: Já são considerados uma das bandas mais importantes do Rock Brasileiro, sendo reconhecidos até no cenário Internacional, onde fazem sucessivas turnês.

Esta Coletânea, 14 Laps, lançada agora, treze anos depois, já com Flavia Couri (Baixista e Vocalista, cuja banda Doidivinas é uma das mais empolgantes que surgiu em décadas de Rock ) substituindo Selma Vieira (que também substituíra Simone), mostra o porquê de tanto sucesso. Poucas vezes a combinação guitarra, baixo e bateria se fez tão coesa, única, como uma orquestra de melodias, ruídos e efeitos insanos. Do início com Catchy Chorus até o divertidíssimo Samba Rock do Bacalhau (com direito a uma citação genial de Meu nome é Gal e de Todos estão surdos), todos as faixas mostram uma banda coesa, que nunca perdeu o pique inicial, deixando na poeira muitas bandas estrangeiras tidas como inovadoras. Tudo é hipnótico, alucinado, irônico e mordaz.

O resgate da música 1,2,3,4 é uma das grandes novidades do álbum que conta também com pérolas como Megalomania, Hotel Cervantes e a grande responsável pelo boom inicial, Fale mal de mim. É a história do rock contada em 14 músicas escolhidas a dedo em um repertório onde não existem sobras.

Uma observação mais detalhada nas músicas que ficaram de fora da coletânea indicam um problema: O autoramas não é uma banda para apenas uma coletânea e mesmo um Box com todas as suas músicas deixaria os fãs e admiradores com um vazio, com uma vontade de pedir sempre mais numa espécie de ninfomania musical. Quem já assistiu um show deles compreende bem essa sensação.

Definitivamente, os Autoramas não nasceram pra chegar em segundo no podium.

Para conhecer o Clube do Vinil e, consequentemente o Sebo Baratos da Ribeiro (o mais bacana do Rio!!!), basta clicar no Link:

http://baratosdaribeiro.com.br/clubedovinil/2010/12/17/resenha-14-laps-do-autoramas-por-pietro-luigi/