Não me lembro se foi em 1985 ou 86, mas nessa época, com cerca de 9 anos, eu já era apaixonado por quadrinhos, graças ao fato do meu pai ser jornaleiro e eu poder ler tudo o que eu queria, fosse em gibis ou em jornais. Era uma época que a Editora Abril e a RGE (futura Editora Globo - não confundir com a de Porto Alegre) investiam pesado nesse segmento e publicavam títulos como Pato Donald, Recruta Zero, Kripta, Luluzinha, sem contar com os títulos da Marvel e DC.
Todo dia eu tinha o hábito de abrir o jornal O Globo e ler as tirinhas que eram publicadas. Mas um dia, um anúncio me chamou atenção e até hoje não sei explicar o que senti. Era algo como, "A partir de amanhã publicaremos Calvin e Haroldo no lugar de (não lembro qual Tirinha deixou de ser publicada) ...". E assim começou uma verdadeira revolução na minha cabeça.
Calvin, 6 anos e seu tigre de pelúcia - ou não - Haroldo (Hobbes no original) eram os personagens que faltavam à minha vida, literalmente modificando minhas idéias, frases cotidianas, meu comportamento e minha imaginação já fértil. Fiquei tão viciado no personagem que era a única tira do jornal que eu cortava, guardava e relia sempre que podia. Assim como também fazia questão de mostrar para meus amigos, que na época mais torciam o nariz do que gostavam, já que o mundo deles girava mais em torno dos gibis de heróis e dos seriados como Ultraman e Spectremen..
Uma das minhas maiores alegrias, já com uns 13, 14 anos, foi quando numa banca de usados em Madureira, eu encontrei o álbum que a Cedibra lançou com as primeiras histórias do Calvin. Ver tudo reunido em um só volume foi ter um sonho realizado, numa época que sequer se imaginava que um dia teríamos tudo com facilidade na Internet. Lembro até hoje que eu não tinha todo o dinheiro, mas que o dono da banca, talvez vendo minha alegria e, ao mesmo tempo temor em perder o álbum, fez um desconto e me deixou levar.
Lamentei muito quando Bill Watterson, criador dos personagens, resolveu encerrar a publicação das histórias em 1995, mas ao mesmo tempo compreendi que era uma forma de não banalizar o Calvin, como aconteceu com inúmeros personagens que com o tempo fugiram de seu contexto e se tornaram máquinas de lucro ao invés de material de diversão.
Em 2004, já adulto e casado, meu filho nasceu. O primeiro nome que me veio à cabeça foi Calvin, mas a esposa e a família em geral não gostaram da sugestão e ele acabou se chamando, assim como eu, Pietro. Mas logo fui percebendo, pelo seu comportamento (e, hoje já com 7 anos sua imaginação infinita comprova isso) que não teria sido uma escolha melhor: ele é o próprio Calvin!!!
E dê um passo à frente a criança de 6 anos que não tem um lado meio Calvin.
A Internet, com suas infinitas informações, tem muita coisa sobre o Calvin, mas eu recomendo dois dos melhores que já vi pra quem quer conhecer ou pra quem já é fã:
http://depositodocalvin.blogspot.com/
e
http://frasesdocalvin.blogspot.com/
(criado por um dos meus melhores amigos e Calvin maníaco como eu, Vagner ou vgdesouza como ele assina)