Isso e Aquilo
Improviso, desbunde, crítica e cultura em geral
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Celso e o Blues
Não sei ao certo se a primeira música que ouvi do Celso foi Aumenta que isso aí é Rock and Roll ou Marginal, mas sei que a segunda está até hoje guardada numa fita cassete que gravei da Rádio Transamérica-RJ em 1986 numa fase que ajudou muito na minha formação musical e que me convenceu de que guitarra é o meu instrumento preferido. Daí pra Clapton, Hendrix e outros foi um pulo.
Descanse em paz, obrigado pela sua música.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Você já viu a Gabí Poraí????
terça-feira, 26 de abril de 2011
Sutileza e simplicidade
segunda-feira, 21 de março de 2011
Calvin, Haroldo e Eu
Não me lembro se foi em 1985 ou 86, mas nessa época, com cerca de 9 anos, eu já era apaixonado por quadrinhos, graças ao fato do meu pai ser jornaleiro e eu poder ler tudo o que eu queria, fosse em gibis ou em jornais. Era uma época que a Editora Abril e a RGE (futura Editora Globo - não confundir com a de Porto Alegre) investiam pesado nesse segmento e publicavam títulos como Pato Donald, Recruta Zero, Kripta, Luluzinha, sem contar com os títulos da Marvel e DC.
Todo dia eu tinha o hábito de abrir o jornal O Globo e ler as tirinhas que eram publicadas. Mas um dia, um anúncio me chamou atenção e até hoje não sei explicar o que senti. Era algo como, "A partir de amanhã publicaremos Calvin e Haroldo no lugar de (não lembro qual Tirinha deixou de ser publicada) ...". E assim começou uma verdadeira revolução na minha cabeça.
Calvin, 6 anos e seu tigre de pelúcia - ou não - Haroldo (Hobbes no original) eram os personagens que faltavam à minha vida, literalmente modificando minhas idéias, frases cotidianas, meu comportamento e minha imaginação já fértil. Fiquei tão viciado no personagem que era a única tira do jornal que eu cortava, guardava e relia sempre que podia. Assim como também fazia questão de mostrar para meus amigos, que na época mais torciam o nariz do que gostavam, já que o mundo deles girava mais em torno dos gibis de heróis e dos seriados como Ultraman e Spectremen..
Uma das minhas maiores alegrias, já com uns 13, 14 anos, foi quando numa banca de usados em Madureira, eu encontrei o álbum que a Cedibra lançou com as primeiras histórias do Calvin. Ver tudo reunido em um só volume foi ter um sonho realizado, numa época que sequer se imaginava que um dia teríamos tudo com facilidade na Internet. Lembro até hoje que eu não tinha todo o dinheiro, mas que o dono da banca, talvez vendo minha alegria e, ao mesmo tempo temor em perder o álbum, fez um desconto e me deixou levar.
Lamentei muito quando Bill Watterson, criador dos personagens, resolveu encerrar a publicação das histórias em 1995, mas ao mesmo tempo compreendi que era uma forma de não banalizar o Calvin, como aconteceu com inúmeros personagens que com o tempo fugiram de seu contexto e se tornaram máquinas de lucro ao invés de material de diversão.
Em 2004, já adulto e casado, meu filho nasceu. O primeiro nome que me veio à cabeça foi Calvin, mas a esposa e a família em geral não gostaram da sugestão e ele acabou se chamando, assim como eu, Pietro. Mas logo fui percebendo, pelo seu comportamento (e, hoje já com 7 anos sua imaginação infinita comprova isso) que não teria sido uma escolha melhor: ele é o próprio Calvin!!!
E dê um passo à frente a criança de 6 anos que não tem um lado meio Calvin.
A Internet, com suas infinitas informações, tem muita coisa sobre o Calvin, mas eu recomendo dois dos melhores que já vi pra quem quer conhecer ou pra quem já é fã:
http://depositodocalvin.blogspot.com/
e
http://frasesdocalvin.blogspot.com/
(criado por um dos meus melhores amigos e Calvin maníaco como eu, Vagner ou vgdesouza como ele assina)
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Autoramas "14 Laps"
Resenha: “14 Laps”, do Autoramas (por Pietro Luigi)
Quando a largada foi dada em 1997, o cenário do Rock Brasileiro já não contava com Chico Science, Second Come, Low dream, Killing Chainsaw e mesmo o Pin Ups, uma das bandas mais importantes do cenário, perdera há pouco o baixista e vocalista Luis Gustavo, agora mais dedicado às suas Hqs. Era um momento histórico, pelo número de bandas independentes que surgiam e ao mesmo tempo preocupante pois nada indicava que estas sobreviveriam muito tempo nesta obscura carreira “alternativa” (rótulo que já os atirava ao escanteio). Ultrapassando todos sem precisar correr na contramão, surgiu o Autoramas, um mega trio que contava na sua formação inicial com Gabriel Thomas (Guitarra e Vocais, ex-Little Quail And The Mad Birds), Nervoso (Bateria, ex-inúmeras bandas, entre elas Beach Lizzards e Acabou La Tequila) e Simone do Vale (Baixista e Vocalista, ex-Dash, entre outras).O grupo surgiu tão maduro, tão afiado, que em pouco tempo já conquistava um público fiel e sedento por shows, que se tornavam cada vez mais constantes e mais profissionais. Em 1998, sai Nervoso, entra Bacalhau (baterista, ex- Acabou La Tequila e ex-Planet Hemp), as turbinas esquentam ainda mais e agora ninguém os alcança: Já são considerados uma das bandas mais importantes do Rock Brasileiro, sendo reconhecidos até no cenário Internacional, onde fazem sucessivas turnês.
Esta Coletânea, 14 Laps, lançada agora, treze anos depois, já com Flavia Couri (Baixista e Vocalista, cuja banda Doidivinas é uma das mais empolgantes que surgiu em décadas de Rock ) substituindo Selma Vieira (que também substituíra Simone), mostra o porquê de tanto sucesso. Poucas vezes a combinação guitarra, baixo e bateria se fez tão coesa, única, como uma orquestra de melodias, ruídos e efeitos insanos. Do início com Catchy Chorus até o divertidíssimo Samba Rock do Bacalhau (com direito a uma citação genial de Meu nome é Gal e de Todos estão surdos), todos as faixas mostram uma banda coesa, que nunca perdeu o pique inicial, deixando na poeira muitas bandas estrangeiras tidas como inovadoras. Tudo é hipnótico, alucinado, irônico e mordaz.
O resgate da música 1,2,3,4 é uma das grandes novidades do álbum que conta também com pérolas como Megalomania, Hotel Cervantes e a grande responsável pelo boom inicial, Fale mal de mim. É a história do rock contada em 14 músicas escolhidas a dedo em um repertório onde não existem sobras.
Uma observação mais detalhada nas músicas que ficaram de fora da coletânea indicam um problema: O autoramas não é uma banda para apenas uma coletânea e mesmo um Box com todas as suas músicas deixaria os fãs e admiradores com um vazio, com uma vontade de pedir sempre mais numa espécie de ninfomania musical. Quem já assistiu um show deles compreende bem essa sensação.
Definitivamente, os Autoramas não nasceram pra chegar em segundo no podium.
Para conhecer o Clube do Vinil e, consequentemente o Sebo Baratos da Ribeiro (o mais bacana do Rio!!!), basta clicar no Link:
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Bukowski tinha razão...
Nunca fui um estereótipo, nunca quis ser. Rótulos nunca me agradaram. E não será agora.
O Baixinho. O Roqueiro. O Intelectual. O Bonzinho. A Vítima. Nunca fui nada e sequer me esforço pra ser algo.
Minto. Me esforcei pra ser amigo. Me esforço até. Como se amizade exigisse esforço. Mato pelos amigos, pela família, e todos os clichês.
Digo que não sou Nerd e sou. Mas eu zerei em matemática. Então CDF nunca fui.
Minha vida, dizem alguns, é um filme. Eu vou além e digo que minha vida é uma Ária, uma longa e interminável Ária, com todos os altos e baixos. E, de repente, o fim.
Apenas o Fim. Como no filme do Matheus Souza.
Ah sim: Baby, venha ver o pôr do Sol.
Daqui a pouco a vida pede licença e parte.
E eu vou (por que não).
Eu vou me embora sem medo daqui.
Minha Honey Baby.
Eu vou danado pra Catende.
Vou danado pra Catende
com vontade de chegar.
O dom de causar consequências
e blá blá blá.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Ar superior
O fato é que tanto debate inútil só me faz rir, pois o que realmente determina o que é ou não bom gosto é a própria pessoa. Talvez você goste de funk e saiba muito mais coisas sobre filme do que qualquer um desses meus amigos. Muitos defensores do cinema europeu massacram radicalmente o Cinema Americano e esquecem que talvez não existisse a nouvelle vague e suas variações se não fossem os filmes Americanos.
No fundo, acho que meu ar superior não permite que eu tenha um ar superior.
O demônio bipolar


Até que ponto uma pessoa pode ser anulada por outra? Ou, refazendo a pergunta, até que ponto a mente de uma pessoa pode ser anulada? Foi essa pergunta que eu me fiz após assistir boquiaberto na ultima Segunda o filme "The Devil and Daniel Johnston". Confesso que até esse dia eu não fazia a menor ideia de quem era, até eu descobrir o filme no site www.makingoff.org e assistir. Virei amigo de infância dele, baixei uns 6 ou 7 arquivos com sua "Cassetografia" (já que a maioria das suas músicas foram gravadas em fitas cassetes caseiras) e, desde então, não falo de outra coisa com os amigos. Talvez a identificação venha do fato de que eu também tenho diversas obsessões herdadas da infância, desde querer registrar tudo (antes em fitas, agora em mp4, posteriormente convertidos em cds), desenhar, inventar coisas, até eventualmente me trancar no meu mundo de devaneios e praticamente esquecer as coisas ao redor.Só que eu nunca fui genial. Daniel Johnston foi e é um dos maiores gênios que já vi, seja na música, completamente Lo-Fi, mal gravada (e por isso mesmo tão interessante), seja na arte, com seus desenhos aparentemente simples, mas repletos e demônios interiores. Aliás, o demônio é um tema recorrente na vida e na arte dele. Criado em uma familia extremamente religiosa, desde cedo foi acusado de fazer a vontade do dito cujo , de provocar a mãe e quem estivesse perto com suas filmagens em super 8, suas gravações de brigas, diálogos e o que mais pudesse registrar, talvez já preparando a sua visão do mundo, criando o seu próprio filme interior. Essas acusações, transformaram Daniel em uma pessoa insegura, enclausurada em suas loucuras, até vir a descoberta da bipolaridade, doença esta que ele transformou como poucos, na única coisa que sabia fazer bem: Arte. Pra quem quer conhecer mais, sugiro dar uma olhada no you tube, caçar no google, enfim, procure e entenda por que tanta gente como Kurt Cobain, Henry Rollins, Matt Groenning,entre outros o consideram o "maior autor de canções vivo"
Outros manifestos virão
Qualquer tipo de barulho me agrada, mas nem todo tipo de escrita me prende. Sou muito mais amigo dos sons que das letras, já que letras e palavras me ferem, seja quando quero lapidá-las, seja quando as enxergo ou ouço. Um dia minha visão se extinguirá, mas ainda terei o tato e a audição, isso caso algo não perfure de vez minha mente já bastante perfurada.
Sou contra qualquer tipo de acomodação e o próprio fato de se criar uma antologia, uma coletânea de melhores obras de cada autor, me soa como uma forma de acomodação. Sejamos sim radicais, contestadores, suicidas até, mas jamais acomodados! O ar, o tempo, catástrofes, nada terá piedade de devastar sua obra, mas se esta for eternizada de alguma maneira, sua pena não terá se movimentado em vão. Nada pior que um cadáver que desaparece sem registro na história.
Mas mesmo a história mente, a filosofia mente, a poesia mente, tudo mente, a cada instante escutamos e lemos milhares de mentiras, mesmo esse texto soa como mentira, como uma farsa, como uma grande bobagem bêbada e redundante.
Sem título
e não ético como queriam alguns,
preocupados se estou fantasiado de mendigo,
se meus pensamentos infectarão ou não suas idéias.
Não estou pulverizado por Anthrax
nem minha carne contém lepra,
mas, ferido, tenho auto-regeneração
sobrevivo enquanto outros se preocupam em viver.
Uso meu sorriso como arma,
como redoma que me protege do contágio.
Enquanto isso, as bombas surgem como estrelas
atreladas ao céu como seu rosto no mar
no dia do meu renascimento,
no dia que a brisa voltou a me tocar.
Ah, o passado...
Ah, o passado...
Conheço um monte de gente que lamenta não ter vivido na década de 1960. Alguns lamentam não terem visto nenhum show do hendrix, beatles, nirvana... Mas, como bem disse meu amigo Vagner, nós hoje temos a vantagem de absorver as coisas do passado com muito mais facilidade. Por exemplo, será que hoje não existem boas bandas, filmes, revistas, peças de teatro? Será que quando os Beatles lançaram o primeiro compacto, automaticamente todas as rádios se converteram ao Rock e passaram a executar boas músicas? E quando Godard lançou Acossado, todos os cinemas se tornaram cults, exibindo filmes “intelectualóides” ? Essa visão de que as coisas do passado é que são boas, além de ser romântica e retrógrada, mostra o quanto somos acomodados.
Ora, porque eu fico em casa ouvindo meus LPs velhos achando que não tem nada de novo ao invés de pesquisar novas bandas, ou melhor, porque eu mesmo não monto uma e tento mudar a cena?
“Ah, que época boa era aquela em que os jornais publicavam bons cronistas...” E você com seus textos guardados na gaveta...
A verdade é que todo mundo reclama, diz que o mundo está tedioso, que não tem nada pra fazer. Só que hoje, em pleno século 21, temos muito mais recursos do que no passado. Antigamente se gravava demos em Fita cassete, as bandas mal tinham uma guitarra (Gianinni era coisa de Playboyzinho), publicar um livro só se fosse com um mimeógrafo e olhe lá... Pra arrumar um simples Lp, vc tinha que economizar muita merenda da escola, já que este era um artigo caro. Hoje vc baixa álbuns inteiros na Internet, publica seus textos em blog e qualquer estúdio te permite gravar com um equipamento razoável...
Dia desses conversando com meu amigo Maurício, do Sebo Baratos da Ribeiro (que talvez você tenha ouvido falar mas não conheça por acomodação), constatamos uma coisa que também acontece na loja que eu trabalho. Nós dois criamos eventos gratuitos dentro dos sebos, geralmente são shows, palestras, leitura de poesia, exibição de filmes, etc. As pessoas adoram, elogiam, incentivam, mas, por algum motivo, não freqüentam a loja. A idéia dos eventos é apresentar novos talentos, criar um novo point (ele no Rio, eu em Mato Grosso do Sul), até mesmo apresentar pessoas e ver se elas fazem algo em conjunto, visto que no Brasil as coisas só funcionam em bando. Porém, as pessoas aparecem nos eventos e tchau, até um dia...
Aí eu penso: será que realmente não está acontecendo nada? O que eu e você estamos fazendo pra mudar isso?
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
OH OH
Agora vamos ver o que vai dar, se esses novos textos vingarão mesmo ou se as palavras ficarão retidas na ponta do lápis. Em todo caso, para o blog não ficar dependendo da minha boa vontade pra escrever, publicarei a partir de hoje alguns textos antigos, muitos deles já postados em outros blogs que tive.