terça-feira, 7 de agosto de 2012

Celso e o Blues

Confesso que há algum tempo não acompanhava a carreira do Celso Blues Boy. Não por desinteresse, pois sempre considerei ele um dos melhores guitarristas do mundo, e tenho alguns Lps na minha coleção, mas por essas distrações da vida, em que acabamos colocando tanta coisa na mente que outras vão ficando meio apagadas. E ontem quando li a notícia da sua morte, uma mistura de nostalgia e tristeza me abateu. Fiquei o dia inteiro na loja em que trabalho ouvindo Blues (não que não ouça normalmente, mas ouvi além do normal), uma forma particular de homenagear esse nosso mestre que muito fez e que pra variar não foi devidamente reconhecido. Se fosse, seus discos seriam facilmente encontrados.
Não sei ao certo se a primeira música que ouvi do Celso foi Aumenta que isso aí é Rock and Roll ou Marginal, mas sei que a segunda está até hoje guardada numa fita cassete que gravei da Rádio Transamérica-RJ em 1986 numa fase que ajudou muito na minha formação musical e que me convenceu de que guitarra é o meu instrumento preferido. Daí pra Clapton, Hendrix e outros foi um pulo.
Descanse em paz, obrigado pela sua música.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Você já viu a Gabí Poraí????

A maior revelação da música em muitos anos ainda não tem Cd ou Dvd, não pula no palco nem flutua (embora sua voz nos dê essa sensação), não faz parte de um grupo ou dupla e sequer foi apadrinhada por algum “ícone” da nossa ainda tão rotulada MPB.
Na verdade, Gabriela Barreto e seu projeto (em parceria com Rodrigo Maia) Gabí Poraí é fruto de uma independência há muito almejada: A do músico que quer tocar e divulgar seu trabalho sem depender de gravadoras, empresários e mesmo de lojas especializadas. É muito bom ter um disco, um registro da sua obra, mas hoje a Internet nos dá a possibilidade de ir além, de alcançar um público sempre sedento por novidades e de até se aproximar deste público. E isso a Gabi tem feito com maestria, simplicidade e muito carisma.
Esse carisma é natural.Quem assiste seus vídeos em seu site Gabí Poraí percebe uma descontração e bom humor há muito perdido na nossa música. Tom Zé estava com a razão quando escreveu “Complexo de Épico” (e quem não conhece, por favor, procure e ESTUDE essa música). 
Para nossa sorte ela trocou o piano, sua primeira opção de instrumento, pelo Violão, seu fiel companheiro nas suas andanças pelos lugares mais inusitados e bonitos escolhidos pra gravar seus vídeos, que ela posta religiosamente toda semana. E ainda oferece um Pocket show quase todo Domingo para os seguidores do seu Twitter.
A naturalidade com que canta e toca as músicas, que vão da conhecidíssima  “As Rosas não falam” a (ainda) desconhecida “Na dança”, uma excelente composição de Gleisson Jones e Juliano Ribeiro, faz parecer que a Gabí nasceu cantando, e que suas primeiras palavras foram melodias ao invés das tradicionais primeiras palavras.
Ao contrário dos fenômenos relâmpagos que aparecem a cada dia, a Gabi definitivamente veio pra ficar. Por aqui ou Poraí, ou a qualquer momento em algum canto da sua cidade

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sutileza e simplicidade

Tinha tudo pra ser mais um dia comum, com a rotina matinal de levar meu filho pra escola, depois ir pro trabalho e assim ver passar mais um dia. Acordei com uma certa melancolia, apatia, enfim, acordei chato, ranzinza como há tempos não acontecia.
Na escola, uma das Coordenadoras tenta organizar a fila e avisa que irão cantar o Hino Nacional. Eu, nem Ufanista e tampouco Patriota, torci o nariz silenciosamente, olhando meu filho junto com os amigos e lembrando da minha infância onde na hora do Hino eu sempre cantarolava algo dos Beatles ou qualquer outra música que me levasse pra longe dali. Em seguida é anunciado que um dos professores havia preparado algo especial e ia cantar e tocar para os alunos e pais presentes. Na hora já pensei em algum Sertanejo, mas engoli a seco minha ranzinice quando ele começou a dedilhar “Não chores mais” do Gil / Marley. Mal começou a cantar e eis que surge um aluno do nada e, na frente de todos, roubando a cena, começa a agitar a turma, a dançar, no melhor estilo Bez do Happy Mondays. As crianças riem e começam também a dançar e agora parecem unidas côo num êxtase coletivo. O que era pra ser uma apresentação fria se transforma numa catarse com o professor e alunos mais entusiasmados, sorrindo e cantando e eu espantando meu mau humor mais uma vez com Gil, em uma das apresentações mais divertidas e espontâneas que vi em muito tempo.Deve ter sido algo como 5,6 minutos no máximo, mas salvou minha manhã e valeu pelo dia inteiro me deixando a certeza de que cada segundo deve ser vivido, e que às vezes por não prestarmos atenção nas coisas simples, a vida se torna enfadonha, monótona, sem ritmo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Calvin, Haroldo e Eu

Não me lembro se foi em 1985 ou 86, mas nessa época, com cerca de 9 anos, eu já era apaixonado por quadrinhos, graças ao fato do meu pai ser jornaleiro e eu poder ler tudo o que eu queria, fosse em gibis ou em jornais. Era uma época que a Editora Abril e a RGE (futura Editora Globo - não confundir com a de Porto Alegre) investiam pesado nesse segmento e publicavam títulos como Pato Donald, Recruta Zero, Kripta, Luluzinha, sem contar com os títulos da Marvel e DC.
Todo dia eu tinha o hábito de abrir o jornal O Globo e ler as tirinhas que eram publicadas. Mas um dia, um anúncio me chamou atenção e até hoje não sei explicar o que senti. Era algo como, "A partir de amanhã publicaremos Calvin e Haroldo no lugar de (não lembro qual Tirinha deixou de ser publicada) ...". E assim começou uma verdadeira revolução na minha cabeça.
Calvin, 6 anos e seu tigre de pelúcia - ou não - Haroldo (Hobbes no original) eram os personagens que faltavam à minha vida, literalmente modificando minhas idéias, frases cotidianas, meu comportamento e minha imaginação já fértil. Fiquei tão viciado no personagem que era a única tira do jornal que eu cortava, guardava e relia sempre que podia. Assim como também fazia questão de mostrar para meus amigos, que na época mais torciam o nariz do que gostavam, já que o mundo deles girava mais em torno dos gibis de heróis e dos seriados como Ultraman e Spectremen..

Uma das minhas maiores alegrias, já com uns 13, 14 anos, foi quando numa banca de usados em Madureira, eu encontrei o álbum que a Cedibra lançou com as primeiras histórias do Calvin. Ver tudo reunido em um só volume foi ter um sonho realizado, numa época que sequer se imaginava que um dia teríamos tudo com facilidade na Internet. Lembro até hoje que eu não tinha todo o dinheiro, mas que o dono da banca, talvez vendo minha alegria e, ao mesmo tempo temor em perder o álbum, fez um desconto e me deixou levar.

Lamentei muito quando Bill Watterson, criador dos personagens, resolveu encerrar a publicação das histórias em 1995, mas ao mesmo tempo compreendi que era uma forma de não banalizar o Calvin, como aconteceu com inúmeros personagens que com o tempo fugiram de seu contexto e se tornaram máquinas de lucro ao invés de material de diversão.

Em 2004, já adulto e casado, meu filho nasceu. O primeiro nome que me veio à cabeça foi Calvin, mas a esposa e a família em geral não gostaram da sugestão e ele acabou se chamando, assim como eu, Pietro. Mas logo fui percebendo, pelo seu comportamento (e, hoje já com 7 anos sua imaginação infinita comprova isso) que não teria sido uma escolha melhor: ele é o próprio Calvin!!!

E dê um passo à frente a criança de 6 anos que não tem um lado meio Calvin.

A Internet, com suas infinitas informações, tem muita coisa sobre o Calvin, mas eu recomendo dois dos melhores que já vi pra quem quer conhecer ou pra quem já é fã:

http://depositodocalvin.blogspot.com/

e

http://frasesdocalvin.blogspot.com/

(criado por um dos meus melhores amigos e Calvin maníaco como eu, Vagner ou vgdesouza como ele assina)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Autoramas "14 Laps"

Segue a resenha do disco "14 Laps" do Autoramas que fiz para o site do Clube do Vinil:

Resenha: “14 Laps”, do Autoramas (por Pietro Luigi)

Quando a largada foi dada em 1997, o cenário do Rock Brasileiro já não contava com Chico Science, Second Come, Low dream, Killing Chainsaw e mesmo o Pin Ups, uma das bandas mais importantes do cenário, perdera há pouco o baixista e vocalista Luis Gustavo, agora mais dedicado às suas Hqs. Era um momento histórico, pelo número de bandas independentes que surgiam e ao mesmo tempo preocupante pois nada indicava que estas sobreviveriam muito tempo nesta obscura carreira “alternativa” (rótulo que já os atirava ao escanteio). Ultrapassando todos sem precisar correr na contramão, surgiu o Autoramas, um mega trio que contava na sua formação inicial com Gabriel Thomas (Guitarra e Vocais, ex-Little Quail And The Mad Birds), Nervoso (Bateria, ex-inúmeras bandas, entre elas Beach Lizzards e Acabou La Tequila) e Simone do Vale (Baixista e Vocalista, ex-Dash, entre outras).

O grupo surgiu tão maduro, tão afiado, que em pouco tempo já conquistava um público fiel e sedento por shows, que se tornavam cada vez mais constantes e mais profissionais. Em 1998, sai Nervoso, entra Bacalhau (baterista, ex- Acabou La Tequila e ex-Planet Hemp), as turbinas esquentam ainda mais e agora ninguém os alcança: Já são considerados uma das bandas mais importantes do Rock Brasileiro, sendo reconhecidos até no cenário Internacional, onde fazem sucessivas turnês.

Esta Coletânea, 14 Laps, lançada agora, treze anos depois, já com Flavia Couri (Baixista e Vocalista, cuja banda Doidivinas é uma das mais empolgantes que surgiu em décadas de Rock ) substituindo Selma Vieira (que também substituíra Simone), mostra o porquê de tanto sucesso. Poucas vezes a combinação guitarra, baixo e bateria se fez tão coesa, única, como uma orquestra de melodias, ruídos e efeitos insanos. Do início com Catchy Chorus até o divertidíssimo Samba Rock do Bacalhau (com direito a uma citação genial de Meu nome é Gal e de Todos estão surdos), todos as faixas mostram uma banda coesa, que nunca perdeu o pique inicial, deixando na poeira muitas bandas estrangeiras tidas como inovadoras. Tudo é hipnótico, alucinado, irônico e mordaz.

O resgate da música 1,2,3,4 é uma das grandes novidades do álbum que conta também com pérolas como Megalomania, Hotel Cervantes e a grande responsável pelo boom inicial, Fale mal de mim. É a história do rock contada em 14 músicas escolhidas a dedo em um repertório onde não existem sobras.

Uma observação mais detalhada nas músicas que ficaram de fora da coletânea indicam um problema: O autoramas não é uma banda para apenas uma coletânea e mesmo um Box com todas as suas músicas deixaria os fãs e admiradores com um vazio, com uma vontade de pedir sempre mais numa espécie de ninfomania musical. Quem já assistiu um show deles compreende bem essa sensação.

Definitivamente, os Autoramas não nasceram pra chegar em segundo no podium.

Para conhecer o Clube do Vinil e, consequentemente o Sebo Baratos da Ribeiro (o mais bacana do Rio!!!), basta clicar no Link:

http://baratosdaribeiro.com.br/clubedovinil/2010/12/17/resenha-14-laps-do-autoramas-por-pietro-luigi/


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Bukowski tinha razão...

A la twitter: Fui beber água e voltei.
Nunca fui um estereótipo, nunca quis ser. Rótulos nunca me agradaram. E não será agora.
O Baixinho. O Roqueiro. O Intelectual. O Bonzinho. A Vítima. Nunca fui nada e sequer me esforço pra ser algo.
Minto. Me esforcei pra ser amigo. Me esforço até. Como se amizade exigisse esforço. Mato pelos amigos, pela família, e todos os clichês.
Digo que não sou Nerd e sou. Mas eu zerei em matemática. Então CDF nunca fui.
Minha vida, dizem alguns, é um filme. Eu vou além e digo que minha vida é uma Ária, uma longa e interminável Ária, com todos os altos e baixos. E, de repente, o fim.
Apenas o Fim. Como no filme do Matheus Souza.
Ah sim: Baby, venha ver o pôr do Sol.
Daqui a pouco a vida pede licença e parte.
E eu vou (por que não).
Eu vou me embora sem medo daqui.
Minha Honey Baby.
Eu vou danado pra Catende.
Vou danado pra Catende
com vontade de chegar.
O dom de causar consequências
e blá blá blá.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Ar superior

Dia desses morri de rir com um bate boca entre dois amigos, cada qual defendendo seu gosto cinematográfico, gastando saliva e travando a língua com nomes confusos só pra mostrar que eram "Cults", entendidos do assunto. Quá Quá, nem Godard seria tão pretencioso. O que me importa é agrardar minha mente, meus olhos, não quero saber se o filme veio de Bengala ou dos EUA, se for bom, qual o problema de onde veio? Daí ficou uma discussão, um dizendo que filme americano é um lixo, o outro afirmando que o verdadeiro cinema nacional está nos curtas, enfim, um bate boca sem hora pra acabar e sem final. Com tanta enrolação, o principal não era mais saber qual o melhor ou pior filme mas, qual deles tinha o melhor gosto. Ar superior. Há muito tempo convivo com esse termo, cunhado por um amigo que disse que o fato de eu absorver compulsivamente tanta informação se dá mais à uma massagem no ego do que a um real interesse em me informar.
O fato é que tanto debate inútil só me faz rir, pois o que realmente determina o que é ou não bom gosto é a própria pessoa. Talvez você goste de funk e saiba muito mais coisas sobre filme do que qualquer um desses meus amigos. Muitos defensores do cinema europeu massacram radicalmente o Cinema Americano e esquecem que talvez não existisse a nouvelle vague e suas variações se não fossem os filmes Americanos.
No fundo, acho que meu ar superior não permite que eu tenha um ar superior.

O demônio bipolar






Até que ponto uma pessoa pode ser anulada por outra? Ou, refazendo a pergunta, até que ponto a mente de uma pessoa pode ser anulada? Foi essa pergunta que eu me fiz após assistir boquiaberto na ultima Segunda o filme "The Devil and Daniel Johnston". Confesso que até esse dia eu não fazia a menor ideia de quem era, até eu descobrir o filme no site www.makingoff.org e assistir. Virei amigo de infância dele, baixei uns 6 ou 7 arquivos com sua "Cassetografia" (já que a maioria das suas músicas foram gravadas em fitas cassetes caseiras) e, desde então, não falo de outra coisa com os amigos. Talvez a identificação venha do fato de que eu também tenho diversas obsessões herdadas da infância, desde querer registrar tudo (antes em fitas, agora em mp4, posteriormente convertidos em cds), desenhar, inventar coisas, até eventualmente me trancar no meu mundo de devaneios e praticamente esquecer as coisas ao redor.Só que eu nunca fui genial. Daniel Johnston foi e é um dos maiores gênios que já vi, seja na música, completamente Lo-Fi, mal gravada (e por isso mesmo tão interessante), seja na arte, com seus desenhos aparentemente simples, mas repletos e demônios interiores. Aliás, o demônio é um tema recorrente na vida e na arte dele. Criado em uma familia extremamente religiosa, desde cedo foi acusado de fazer a vontade do dito cujo , de provocar a mãe e quem estivesse perto com suas filmagens em super 8, suas gravações de brigas, diálogos e o que mais pudesse registrar, talvez já preparando a sua visão do mundo, criando o seu próprio filme interior. Essas acusações, transformaram Daniel em uma pessoa insegura, enclausurada em suas loucuras, até vir a descoberta da bipolaridade, doença esta que ele transformou como poucos, na única coisa que sabia fazer bem: Arte. Pra quem quer conhecer mais, sugiro dar uma olhada no you tube, caçar no google, enfim, procure e entenda por que tanta gente como Kurt Cobain, Henry Rollins, Matt Groenning,entre outros o consideram o "maior autor de canções vivo"

Outros manifestos virão

Desde cedo escrevo, influenciado por buzinas, músicas, choro de bebês, gritos, tiros, ruídos internos, teclas da máquina, computador,
Qualquer tipo de barulho me agrada, mas nem todo tipo de escrita me prende. Sou muito mais amigo dos sons que das letras, já que letras e palavras me ferem, seja quando quero lapidá-las, seja quando as enxergo ou ouço. Um dia minha visão se extinguirá, mas ainda terei o tato e a audição, isso caso algo não perfure de vez minha mente já bastante perfurada.
Sou contra qualquer tipo de acomodação e o próprio fato de se criar uma antologia, uma coletânea de melhores obras de cada autor, me soa como uma forma de acomodação. Sejamos sim radicais, contestadores, suicidas até, mas jamais acomodados! O ar, o tempo, catástrofes, nada terá piedade de devastar sua obra, mas se esta for eternizada de alguma maneira, sua pena não terá se movimentado em vão. Nada pior que um cadáver que desaparece sem registro na história.
Mas mesmo a história mente, a filosofia mente, a poesia mente, tudo mente, a cada instante escutamos e lemos milhares de mentiras, mesmo esse texto soa como mentira, como uma farsa, como uma grande bobagem bêbada e redundante.

Sem título

Épico, estou sendo épico
e não ético como queriam alguns,
preocupados se estou fantasiado de mendigo,
se meus pensamentos infectarão ou não suas idéias.

Não estou pulverizado por Anthrax
nem minha carne contém lepra,
mas, ferido, tenho auto-regeneração
sobrevivo enquanto outros se preocupam em viver.

Uso meu sorriso como arma,
como redoma que me protege do contágio.
Enquanto isso, as bombas surgem como estrelas
atreladas ao céu como seu rosto no mar
no dia do meu renascimento,
no dia que a brisa voltou a me tocar.

Ah, o passado...

Ah, o passado...

Conheço um monte de gente que lamenta não ter vivido na década de 1960. Alguns lamentam não terem visto nenhum show do hendrix, beatles, nirvana... Mas, como bem disse meu amigo Vagner, nós hoje temos a vantagem de absorver as coisas do passado com muito mais facilidade. Por exemplo, será que hoje não existem boas bandas, filmes, revistas, peças de teatro? Será que quando os Beatles lançaram o primeiro compacto, automaticamente todas as rádios se converteram ao Rock e passaram a executar boas músicas? E quando Godard lançou Acossado, todos os cinemas se tornaram cults, exibindo filmes “intelectualóides” ? Essa visão de que as coisas do passado é que são boas, além de ser romântica e retrógrada, mostra o quanto somos acomodados.
Ora, porque eu fico em casa ouvindo meus LPs velhos achando que não tem nada de novo ao invés de pesquisar novas bandas, ou melhor, porque eu mesmo não monto uma e tento mudar a cena?
“Ah, que época boa era aquela em que os jornais publicavam bons cronistas...” E você com seus textos guardados na gaveta...
A verdade é que todo mundo reclama, diz que o mundo está tedioso, que não tem nada pra fazer. Só que hoje, em pleno século 21, temos muito mais recursos do que no passado. Antigamente se gravava demos em Fita cassete, as bandas mal tinham uma guitarra (Gianinni era coisa de Playboyzinho), publicar um livro só se fosse com um mimeógrafo e olhe lá... Pra arrumar um simples Lp, vc tinha que economizar muita merenda da escola, já que este era um artigo caro. Hoje vc baixa álbuns inteiros na Internet, publica seus textos em blog e qualquer estúdio te permite gravar com um equipamento razoável...
Dia desses conversando com meu amigo Maurício, do Sebo Baratos da Ribeiro (que talvez você tenha ouvido falar mas não conheça por acomodação), constatamos uma coisa que também acontece na loja que eu trabalho. Nós dois criamos eventos gratuitos dentro dos sebos, geralmente são shows, palestras, leitura de poesia, exibição de filmes, etc. As pessoas adoram, elogiam, incentivam, mas, por algum motivo, não freqüentam a loja. A idéia dos eventos é apresentar novos talentos, criar um novo point (ele no Rio, eu em Mato Grosso do Sul), até mesmo apresentar pessoas e ver se elas fazem algo em conjunto, visto que no Brasil as coisas só funcionam em bando. Porém, as pessoas aparecem nos eventos e tchau, até um dia...
Aí eu penso: será que realmente não está acontecendo nada? O que eu e você estamos fazendo pra mudar isso?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

OH OH

Resolvi voltar a escrever após um período de desilusão literária. Não é bem desilusão, mas o problema é que desde moleque leio e escrevo qualquer coisa, sem método, sem academicismo, e nenhuma dessas frescurites intelectualóides que servem mais pro cara dizer que é culto, quando na verdade existem muitos analfabetos muito mais cultos que ele. Só que um dia sumiu tudo: Inspiração, paciência, delírios... Só ficaram alguns devaneios bestas, mas que nem fiz questão de colocar no papel.
Agora vamos ver o que vai dar, se esses novos textos vingarão mesmo ou se as palavras ficarão retidas na ponta do lápis. Em todo caso, para o blog não ficar dependendo da minha boa vontade pra escrever, publicarei a partir de hoje alguns textos antigos, muitos deles já postados em outros blogs que tive.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O barato de colecionar coisas baratas (e algumas nem tanto...)

Não sei bem quando começou, se foi culpa da minha mãe ou do meu pai ou se foi algo que nasceu comigo. Minha mãe comprava revista com meu pai, jornaleiro, e daí com o tempo namoraram e casaram. Deve ser algo no sangue, embora nenhum dos dois veja graça na minha bagunça organizada. São milhares de livros, Lps, gibis, desenhos, filmes, etc., que deixariam muitos donos de sebos orgulhosos. Mas minha coleção é intocável. É minha, fruto de anos de garimpo, garimpo este que me trouxe muitos amigos, alguns também intocáveis.Com o tempo, o colecionador virou também vendedor e ficou atrás de um balcão. Mas ainda assim, um colecionador. E agora, o colecionador / vendedor resolveu tentar ser blogueiro. E aqui tudo começa...