Ah, o passado...
Conheço um monte de gente que lamenta não ter vivido na década de 1960. Alguns lamentam não terem visto nenhum show do hendrix, beatles, nirvana... Mas, como bem disse meu amigo Vagner, nós hoje temos a vantagem de absorver as coisas do passado com muito mais facilidade. Por exemplo, será que hoje não existem boas bandas, filmes, revistas, peças de teatro? Será que quando os Beatles lançaram o primeiro compacto, automaticamente todas as rádios se converteram ao Rock e passaram a executar boas músicas? E quando Godard lançou Acossado, todos os cinemas se tornaram cults, exibindo filmes “intelectualóides” ? Essa visão de que as coisas do passado é que são boas, além de ser romântica e retrógrada, mostra o quanto somos acomodados.
Ora, porque eu fico em casa ouvindo meus LPs velhos achando que não tem nada de novo ao invés de pesquisar novas bandas, ou melhor, porque eu mesmo não monto uma e tento mudar a cena?
“Ah, que época boa era aquela em que os jornais publicavam bons cronistas...” E você com seus textos guardados na gaveta...
A verdade é que todo mundo reclama, diz que o mundo está tedioso, que não tem nada pra fazer. Só que hoje, em pleno século 21, temos muito mais recursos do que no passado. Antigamente se gravava demos em Fita cassete, as bandas mal tinham uma guitarra (Gianinni era coisa de Playboyzinho), publicar um livro só se fosse com um mimeógrafo e olhe lá... Pra arrumar um simples Lp, vc tinha que economizar muita merenda da escola, já que este era um artigo caro. Hoje vc baixa álbuns inteiros na Internet, publica seus textos em blog e qualquer estúdio te permite gravar com um equipamento razoável...
Dia desses conversando com meu amigo Maurício, do Sebo Baratos da Ribeiro (que talvez você tenha ouvido falar mas não conheça por acomodação), constatamos uma coisa que também acontece na loja que eu trabalho. Nós dois criamos eventos gratuitos dentro dos sebos, geralmente são shows, palestras, leitura de poesia, exibição de filmes, etc. As pessoas adoram, elogiam, incentivam, mas, por algum motivo, não freqüentam a loja. A idéia dos eventos é apresentar novos talentos, criar um novo point (ele no Rio, eu em Mato Grosso do Sul), até mesmo apresentar pessoas e ver se elas fazem algo em conjunto, visto que no Brasil as coisas só funcionam em bando. Porém, as pessoas aparecem nos eventos e tchau, até um dia...
Aí eu penso: será que realmente não está acontecendo nada? O que eu e você estamos fazendo pra mudar isso?
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