Dia desses morri de rir com um bate boca entre dois amigos, cada qual defendendo seu gosto cinematográfico, gastando saliva e travando a língua com nomes confusos só pra mostrar que eram "Cults", entendidos do assunto. Quá Quá, nem Godard seria tão pretencioso. O que me importa é agrardar minha mente, meus olhos, não quero saber se o filme veio de Bengala ou dos EUA, se for bom, qual o problema de onde veio? Daí ficou uma discussão, um dizendo que filme americano é um lixo, o outro afirmando que o verdadeiro cinema nacional está nos curtas, enfim, um bate boca sem hora pra acabar e sem final. Com tanta enrolação, o principal não era mais saber qual o melhor ou pior filme mas, qual deles tinha o melhor gosto. Ar superior. Há muito tempo convivo com esse termo, cunhado por um amigo que disse que o fato de eu absorver compulsivamente tanta informação se dá mais à uma massagem no ego do que a um real interesse em me informar.
O fato é que tanto debate inútil só me faz rir, pois o que realmente determina o que é ou não bom gosto é a própria pessoa. Talvez você goste de funk e saiba muito mais coisas sobre filme do que qualquer um desses meus amigos. Muitos defensores do cinema europeu massacram radicalmente o Cinema Americano e esquecem que talvez não existisse a nouvelle vague e suas variações se não fossem os filmes Americanos.
No fundo, acho que meu ar superior não permite que eu tenha um ar superior.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
O demônio bipolar


Até que ponto uma pessoa pode ser anulada por outra? Ou, refazendo a pergunta, até que ponto a mente de uma pessoa pode ser anulada? Foi essa pergunta que eu me fiz após assistir boquiaberto na ultima Segunda o filme "The Devil and Daniel Johnston". Confesso que até esse dia eu não fazia a menor ideia de quem era, até eu descobrir o filme no site www.makingoff.org e assistir. Virei amigo de infância dele, baixei uns 6 ou 7 arquivos com sua "Cassetografia" (já que a maioria das suas músicas foram gravadas em fitas cassetes caseiras) e, desde então, não falo de outra coisa com os amigos. Talvez a identificação venha do fato de que eu também tenho diversas obsessões herdadas da infância, desde querer registrar tudo (antes em fitas, agora em mp4, posteriormente convertidos em cds), desenhar, inventar coisas, até eventualmente me trancar no meu mundo de devaneios e praticamente esquecer as coisas ao redor.Só que eu nunca fui genial. Daniel Johnston foi e é um dos maiores gênios que já vi, seja na música, completamente Lo-Fi, mal gravada (e por isso mesmo tão interessante), seja na arte, com seus desenhos aparentemente simples, mas repletos e demônios interiores. Aliás, o demônio é um tema recorrente na vida e na arte dele. Criado em uma familia extremamente religiosa, desde cedo foi acusado de fazer a vontade do dito cujo , de provocar a mãe e quem estivesse perto com suas filmagens em super 8, suas gravações de brigas, diálogos e o que mais pudesse registrar, talvez já preparando a sua visão do mundo, criando o seu próprio filme interior. Essas acusações, transformaram Daniel em uma pessoa insegura, enclausurada em suas loucuras, até vir a descoberta da bipolaridade, doença esta que ele transformou como poucos, na única coisa que sabia fazer bem: Arte. Pra quem quer conhecer mais, sugiro dar uma olhada no you tube, caçar no google, enfim, procure e entenda por que tanta gente como Kurt Cobain, Henry Rollins, Matt Groenning,entre outros o consideram o "maior autor de canções vivo"
Outros manifestos virão
Desde cedo escrevo, influenciado por buzinas, músicas, choro de bebês, gritos, tiros, ruídos internos, teclas da máquina, computador,
Qualquer tipo de barulho me agrada, mas nem todo tipo de escrita me prende. Sou muito mais amigo dos sons que das letras, já que letras e palavras me ferem, seja quando quero lapidá-las, seja quando as enxergo ou ouço. Um dia minha visão se extinguirá, mas ainda terei o tato e a audição, isso caso algo não perfure de vez minha mente já bastante perfurada.
Sou contra qualquer tipo de acomodação e o próprio fato de se criar uma antologia, uma coletânea de melhores obras de cada autor, me soa como uma forma de acomodação. Sejamos sim radicais, contestadores, suicidas até, mas jamais acomodados! O ar, o tempo, catástrofes, nada terá piedade de devastar sua obra, mas se esta for eternizada de alguma maneira, sua pena não terá se movimentado em vão. Nada pior que um cadáver que desaparece sem registro na história.
Mas mesmo a história mente, a filosofia mente, a poesia mente, tudo mente, a cada instante escutamos e lemos milhares de mentiras, mesmo esse texto soa como mentira, como uma farsa, como uma grande bobagem bêbada e redundante.
Qualquer tipo de barulho me agrada, mas nem todo tipo de escrita me prende. Sou muito mais amigo dos sons que das letras, já que letras e palavras me ferem, seja quando quero lapidá-las, seja quando as enxergo ou ouço. Um dia minha visão se extinguirá, mas ainda terei o tato e a audição, isso caso algo não perfure de vez minha mente já bastante perfurada.
Sou contra qualquer tipo de acomodação e o próprio fato de se criar uma antologia, uma coletânea de melhores obras de cada autor, me soa como uma forma de acomodação. Sejamos sim radicais, contestadores, suicidas até, mas jamais acomodados! O ar, o tempo, catástrofes, nada terá piedade de devastar sua obra, mas se esta for eternizada de alguma maneira, sua pena não terá se movimentado em vão. Nada pior que um cadáver que desaparece sem registro na história.
Mas mesmo a história mente, a filosofia mente, a poesia mente, tudo mente, a cada instante escutamos e lemos milhares de mentiras, mesmo esse texto soa como mentira, como uma farsa, como uma grande bobagem bêbada e redundante.
Sem título
Épico, estou sendo épico
e não ético como queriam alguns,
preocupados se estou fantasiado de mendigo,
se meus pensamentos infectarão ou não suas idéias.
Não estou pulverizado por Anthrax
nem minha carne contém lepra,
mas, ferido, tenho auto-regeneração
sobrevivo enquanto outros se preocupam em viver.
Uso meu sorriso como arma,
como redoma que me protege do contágio.
Enquanto isso, as bombas surgem como estrelas
atreladas ao céu como seu rosto no mar
no dia do meu renascimento,
no dia que a brisa voltou a me tocar.
e não ético como queriam alguns,
preocupados se estou fantasiado de mendigo,
se meus pensamentos infectarão ou não suas idéias.
Não estou pulverizado por Anthrax
nem minha carne contém lepra,
mas, ferido, tenho auto-regeneração
sobrevivo enquanto outros se preocupam em viver.
Uso meu sorriso como arma,
como redoma que me protege do contágio.
Enquanto isso, as bombas surgem como estrelas
atreladas ao céu como seu rosto no mar
no dia do meu renascimento,
no dia que a brisa voltou a me tocar.
Ah, o passado...
Ah, o passado...
Conheço um monte de gente que lamenta não ter vivido na década de 1960. Alguns lamentam não terem visto nenhum show do hendrix, beatles, nirvana... Mas, como bem disse meu amigo Vagner, nós hoje temos a vantagem de absorver as coisas do passado com muito mais facilidade. Por exemplo, será que hoje não existem boas bandas, filmes, revistas, peças de teatro? Será que quando os Beatles lançaram o primeiro compacto, automaticamente todas as rádios se converteram ao Rock e passaram a executar boas músicas? E quando Godard lançou Acossado, todos os cinemas se tornaram cults, exibindo filmes “intelectualóides” ? Essa visão de que as coisas do passado é que são boas, além de ser romântica e retrógrada, mostra o quanto somos acomodados.
Ora, porque eu fico em casa ouvindo meus LPs velhos achando que não tem nada de novo ao invés de pesquisar novas bandas, ou melhor, porque eu mesmo não monto uma e tento mudar a cena?
“Ah, que época boa era aquela em que os jornais publicavam bons cronistas...” E você com seus textos guardados na gaveta...
A verdade é que todo mundo reclama, diz que o mundo está tedioso, que não tem nada pra fazer. Só que hoje, em pleno século 21, temos muito mais recursos do que no passado. Antigamente se gravava demos em Fita cassete, as bandas mal tinham uma guitarra (Gianinni era coisa de Playboyzinho), publicar um livro só se fosse com um mimeógrafo e olhe lá... Pra arrumar um simples Lp, vc tinha que economizar muita merenda da escola, já que este era um artigo caro. Hoje vc baixa álbuns inteiros na Internet, publica seus textos em blog e qualquer estúdio te permite gravar com um equipamento razoável...
Dia desses conversando com meu amigo Maurício, do Sebo Baratos da Ribeiro (que talvez você tenha ouvido falar mas não conheça por acomodação), constatamos uma coisa que também acontece na loja que eu trabalho. Nós dois criamos eventos gratuitos dentro dos sebos, geralmente são shows, palestras, leitura de poesia, exibição de filmes, etc. As pessoas adoram, elogiam, incentivam, mas, por algum motivo, não freqüentam a loja. A idéia dos eventos é apresentar novos talentos, criar um novo point (ele no Rio, eu em Mato Grosso do Sul), até mesmo apresentar pessoas e ver se elas fazem algo em conjunto, visto que no Brasil as coisas só funcionam em bando. Porém, as pessoas aparecem nos eventos e tchau, até um dia...
Aí eu penso: será que realmente não está acontecendo nada? O que eu e você estamos fazendo pra mudar isso?
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
OH OH
Resolvi voltar a escrever após um período de desilusão literária. Não é bem desilusão, mas o problema é que desde moleque leio e escrevo qualquer coisa, sem método, sem academicismo, e nenhuma dessas frescurites intelectualóides que servem mais pro cara dizer que é culto, quando na verdade existem muitos analfabetos muito mais cultos que ele. Só que um dia sumiu tudo: Inspiração, paciência, delírios... Só ficaram alguns devaneios bestas, mas que nem fiz questão de colocar no papel.
Agora vamos ver o que vai dar, se esses novos textos vingarão mesmo ou se as palavras ficarão retidas na ponta do lápis. Em todo caso, para o blog não ficar dependendo da minha boa vontade pra escrever, publicarei a partir de hoje alguns textos antigos, muitos deles já postados em outros blogs que tive.
Agora vamos ver o que vai dar, se esses novos textos vingarão mesmo ou se as palavras ficarão retidas na ponta do lápis. Em todo caso, para o blog não ficar dependendo da minha boa vontade pra escrever, publicarei a partir de hoje alguns textos antigos, muitos deles já postados em outros blogs que tive.
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